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Mensagens das juventudes em evento do Itaú Educação e Trabalho se transformam em manifesto coletivo

Institucional

Carta refletiu os sonhos e os desejos dos jovens para o amanhã

Realizado em fevereiro pelo Itaú Educação e Trabalho, organização da Fundação Itaú, o evento “Trampos do Futuro: arte, cultura e educação” reuniu jovens estudantes da rede pública estadual para conectá-los com os conceitos das Economias do Futuro e da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). Foi oferecida também uma série de ativações e oficinas gratuitas, entre elas a Árvore do Amanhã, um símbolo vivo de esperança, diversidade, representatividade e inclusão, realizada pela co.liga, uma iniciativa da Fundação Roberto Marinho.

A ação estimulou os jovens a refletirem sobre suas vidas, sonhos e expectativas, deixando mensagens fixadas nos galhos da Árvore do Amanhã para serem lidas por diferentes pessoas. As mensagens resultaram em um manifesto coletivo de transformação.

No final do evento, a “Carta das Juventudes sobre seus Futuros Imaginados” foi apresentada e lida ao público, resumindo todas as mensagens e sonhos escritos pelos estudantes. Confira na íntegra o conteúdo do Manifesto.

À sociedade brasileira.

Escrevemos essa carta porque acreditamos que é muito importante que as pessoas saibam que as juventudes têm sonhos. Que embora algumas pessoas digam que somos o futuro, nós somos também o presente. Há realidades novas com que convivemos diariamente, como a crescente presença das tecnologias digitais, a inteligência artificial e outros pontos que podem ser vistos pelo nosso olhar. 

Muitas pessoas ignoram a opinião de jovens, mas nós sabemos que temos o potencial de construir um país melhor. Para isso, precisamos de mais oportunidades, para nos desenvolvermos integralmente e sem deixar ninguém para trás. 

Construímos esta carta no evento Trampos do Futuro, onde jovens de diversas partes puderam expor seus sonhos e projetar seu futuro na Árvore do Amanhã. Nós participamos de uma oficina que nos provocou a sonhar e a esperançar: recebemos o convite para imaginar como seria o país da Utopia Jovem, onde nossos problemas enfrentados hoje já teriam sido resolvidos e onde jovens seriam proponentes de políticas públicas, programas, leis e iniciativas para as áreas da educação, trabalho, arte e cultura. 

No começo, sonhar foi um pouco difícil, já que temos pouca oportunidade de refletir sobre isso, ainda mais em grupo. Mas, no fim, a construção dessa utopia nos mostrou como poderia ser o nosso Brasil, onde as juventudes poderiam concretizar tantos sonhos individuais e coletivos. 

Percebemos que nossos sonhos não são impossíveis, nem absurdos. Na maior parte das vezes queremos conquistar coisas que sabemos que muitas pessoas conseguem acessar, como uma faculdade e um trabalho digno. Queremos dar orgulho às nossas famílias, muitas vezes construindo uma nova história, nos tornar independentes, conciliar o trabalho e o estudo com práticas esportivas, com idas a museus, cinemas, parques, praças, com tempo de qualidade com a família e vivenciando de forma livre nossas múltiplas crenças e fés. Queremos conhecer o mundo afora. Mas para isso, precisamos ter a oportunidade de ter uma vida estável e estruturada. 

Além disso, concordamos com as pessoas que colocaram na Árvore do Amanhã que precisamos de “um futuro sustentável, sem agressão à natureza” e que “uma humanidade menos individualista pode gerar sociedades menos desiguais”. Jovens esperam viver em um mundo onde há redução na geração de resíduos e ampliação da cobertura verde nas cidades e da reciclagem. Jovens sonham em poder amar e ser amados, mas para isso precisamos que “o mundo pare de se odiar”, que acabe a homofobia, o racismo, o feminicídio, a intolerância religiosa e todas as formas de preconceitos e discriminação. 

Vivemos em uma sociedade plural, e essa pluralidade deve ser igualmente ouvida e levada em consideração para efetivação de uma democracia plena. Isso significa que é fundamental ouvir e trazer as juventudes para a construção e fortalecimento dessa sociedade. 

Nós, jovens, temos sonhos e utopias para a educação. Queremos que ela seja justa e linear para todas as pessoas, abrangendo os mais diversos assuntos para as mais diversas pessoas. Queremos que todos tenham acesso a uma educação objetiva, diversa e de qualidade, que valorize as competências pessoais e esteja centrada no futuro profissional. Queremos que jovens tenham a possibilidade de focarem nos estudos, com ampla dedicação e sem concorrência com outras áreas da vida. 

Na nossa utopia, os problemas da educação foram resolvidos: não existe analfabetismo, nem falta de verba para infraestrutura e alimentação. Há professores suficientes e as turmas possuem tamanho adequado. Não existem preconceitos e pessoas com deficiência podem estudar sem dificuldades. Não existe insegurança e nem burocracia desnecessária. A educação e a carreira docente são valorizadas, e os alunos não se sentem desmotivados. 

Para chegar nessa utopia, enxergamos que a educação precisa garantir que as aulas sejam práticas e criativas, adaptadas às formas de aprendizagem de cada estudante. Queremos aprender diferentes habilidades, como libras e espanhol, primeiros socorros, esportes. Queremos ter capacitações técnicas orientadas a novas profissões, ligadas a tecnologias e economia criativa. A nossa escola precisa garantir que tenhamos todas as matérias cobradas pelos vestibulares. Ao mesmo tempo, devem ser oferecidas atividades lúdicas, que promovam autonomia e oportunidades de expressão de jovens. E precisamos que existam políticas de acesso e permanência nas universidades, que devem ser públicas e gratuitas. 

Temos, também, sonhos e utopias para o trabalho. No mundo do trabalho ideal, onde todas as pessoas têm acesso a ele. Os salários são justos e suficientes para fazer mais do que só pagar as contas. E as relações são humanizadas. 

Na nossa utopia, superamos o desemprego e todos têm acesso a oportunidades, em trabalhos próximos de onde as pessoas moram. Os salários são justos e as diferentes profissões são valorizadas. Todos têm acesso a oportunidades de emprego e qualificação, inclusive pessoas com deficiência e imigrantes, que são beneficiados por políticas de inclusão. Todos podem ter direito à aposentadoria. E nenhuma profissão é desproporcionalmente mais valorizada do que outra, sendo que pessoas podem escolher trabalhar de forma alinhada a seus ideais, podendo inclusive promover o impacto social. 

Os trabalhadores não precisam sacrificar sua vida pessoal pelo trabalho, conseguindo tempo para cuidar de si, da saúde mental e física, estar com a família, acessar lazer, estudo e qualificação. Jovens não ficam sem emprego por falta de experiência, e há amplas possibilidades para diferentes profissões e habilidades. 

Para alcançar esses sonhos, acreditamos que o Brasil precisa garantir políticas de valorização e incentivo das diferentes profissões, assegurando igualdade para todos, como licença paternidade justa. Além disso, empregadores precisam oferecer espaços de descanso, carga horária adequada e considerem, quando possível, o equilíbrio entre presencial e home office. O transporte público deve ser de qualidade, para que o deslocamento não seja prejudicial. 

Para que esse futuro seja possível, é necessário que existam oportunidades de formação continuada, políticas de crescimento profissional e de auxílio para cuidado da saúde física e mental. 

E, além disso, temos sonhos e utopias para arte e cultura. Queremos um Brasil que valorize a nossa cultura, que jovens e todas as pessoas sejam realmente interessados no cinema, teatro, música e outras produções brasileiras, dando valor a nossa rica diversidade de talentos. Queremos ter oportunidade de estarmos mais conectados com nossas origens, nossos ancestrais e seus costumes. Queremos conhecer e nos aprofundar sobre as culturas indígenas e africanas. E todas as pessoas podem acessar a arte e a cultura, em suas diferentes formas, dentro e fora de equipamentos. Também queremos ampliar nossos horizontes de acesso a outras culturas, para além daqueles que são hoje dominantes. 

Na nossa utopia, não existirá a falta de equipamentos culturais e aqueles que existem não estarão apenas nos centros. Não haverá mais discriminação entre as diferentes áreas artísticas e culturais, sendo que haverá um equilíbrio na valorização de cada expressão e linguagem. E essa área é vista também como uma oportunidade de aprendizado e socialização para jovens. 

Para que isso seja possível, precisamos que haja uma valorização real da área da cultura, com investimentos em múltiplos setores, inclusive da educação e trabalho. O ensino da arte, do audiovisual e outras expressões, assim como o acesso à cultura devem ser considerados parte importante do desenvolvimento de jovens, criando eventualmente polos culturais com cursos profissionalizantes nesta área. Além disso, deveríamos ter políticas de bolsas para quem estuda arte e cultura, bem como oportunidades de intercâmbio, como forma de incentivar o crescimento dessa área. 

Para que a cultura seja vista como forma de expressão e oportunidade de profissionalização, precisamos de mais espaços para realização de saraus, teatros, produções audiovisuais etc. E devem ser ampliados os programas de fomento a iniciativas culturais de jovens, de incentivo a jovens artistas e de publicação de seus trabalhos. 

Acreditamos que as juventudes podem contribuir com a realização desses sonhos e utopias, se eles tiverem a oportunidade de serem protagonistas de suas próprias vidas. 

Sabemos que quando essas condições são oferecidas, jovens têm plena capacidade de avaliar o que é oferecido e formular propostas relevantes. 

Escolas, empresas e diversas instituições poderiam criar espaços de interação e escuta de jovens, para que eles possam trazer suas sugestões. Espaços de troca, compartilhamento de conhecimento e ideias são também uma oportunidade de promover a diversidade. 

Para encerrar nossa carta, parafraseando alguns dos sonhos da Árvore do Amanhã: Querido futuro, te aguardamos ansiosamente! Pensamos em você todos os dias e esperamos tudo de bom e do melhor. Não vamos deixar o medo de errar impedir que a gente alcance nossos sonhos e uma sociedade mais igualitária, mais respeitosa e acolhedora! Desejamos um futuro cheio de alegria e paz para nós!”